pexels-pixabay-256381

Análise da Maturidade i4.0

pexels-pixabay-256381

Análise da Maturidade i4.0

Análise da Maturidade i4.0

Contextualização

A Indústria 4.0 permite aumentar a agilidade e melhorar o tempo de resposta ao mercado através de adoção de tecnologias de produção flexíveis e adaptativas. Isto permitirá que as empresas reajam mais rapidamente à volatilidade na procura, abrangendo quer a produção para stock (MTS), quer a produção customizada com alto mix e baixo volume por variedade de produtos.

Assim, as empresas necessitam de ampliar as atuais competências digitais e tecnológicas para otimizar os processos internos, introduzir inteligência nos seus produtos e desenvolver serviços baseados em dados que melhorem os negócios dos seus clientes.

A análise e quantificação da Maturidade Digital permite conhecer o estado de maturidade e condições atuais das empresas, fornecendo a base para a especificação de uma visão para a evolução das ferramentas digitais e para a definição de um roteiro de implementação/ desenvolvimento das tecnologias de digitalização

**

O estudo Análise da Maturidade Digital, realizado no âmbito do Projeto “Sistemas Avançados de Produção 4.0”, incidiu sobre três grupos económicos, cujas sedes se situam na região Norte do país e, em particular, na região do Entre Douro e Vouga (EDV). É constituído, maioritariamente, por empresas de pequena dimensão, bem estabelecidas nos seus mercados locais e com uma forte componente industrial e especialização produtiva.

Este ecossistema empresarial forma a chamada fileira/cluster associada às tecnologias de largo espectro (Key Enabling Technologies), alinhando diretamente com o Domínio Nuclear de Especialização Inteligente “Sistemas Avançados de Produção” (SAP) da Região Norte, o qual é o alvo deste estudo de maturidade digital i4.0.

Objetivos

– Efetuar a caraterização da fileira dos ‘Sistemas Avançados de Produção’ do EDV;

– Analisar e quantificar o nível de maturidade no contexto da Indústria 4.0.

Metodologia

A intervenção foi baseada numa metodologia própria do INESC TEC dedicada à caracterização dos setores económicos, incluindo a aplicação de um modelo de maturidade, onde se encontram definidas 6 dimensões e critérios de análise:
 
    • – Cultura e Pessoas
    • – Processos e Operações
    • – Produtos e Serviços
    • – Estratégia, Governança e Processos de Negócio
    • – Tecnologias e Sistemas de Informação
    • – Contexto, Mercado e Regulação

Grupos Económicos

A Avaliação da Maturidade focou-se em 3 setores-chave:

CAE 259 Fabricação de Produtos Metálicos (como embalagens metálicas, molas, correntes, louça metálica e artigos de uso doméstico, entre outros)
CAE 289 Fabricação de Máquinas para a Indústria (indústria extrativa e para a construção, metalurgia, indústria têxtil e outras)
CAE 293 – Fabricação de Equipamentos e Acessórios para a Indústria Automóvel

Caraterização da fileira SAP do EDV

A Região do Entre Douro e Vouga, a qual foi alvo de intervenção neste estudo, compreendeu os setores de tecnologias de média e elevada intensidade tecnológicas.

A Região do Entre Douro e Vouga (EDV) agrega 5 municípios: Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis.

Fig. 1 – Região do Entre Douro e Vouga.

A região conta com uma vasta indústria transformadora fortemente suportada pelas exportações.

Nesta região do EDV, as principais indústrias são: Produção de Acessórios para Automóveis, Máquinas e Bens de Equipamentos, Metalúrgica, Madeira e Cortiça, Calçado, Têxteis, Plásticos e Borracha.

A indústria do EDV é responsável por, aproximadamente, 26% do Emprego, 26% do total do Volume de Negócios e cerca de 25% das Exportações da Região Norte.

Os setores mais exportadores são: Produtos Metálicos, Máquinas e Equipamentos, Indústria Automóvel e seus Componentes e Calçado.

Número de Empresas por Setor e Dimensão

Fig. 2 – Número de Empresas por setor e dimensão.

A fileira conta com 194 empresas (2020), distribuídas da seguinte forma:


CAE 259 (107 empresas):
  • 60 Micro empresas
  • 35 Pequenas empresas
  • 10 Médias empresas
  • 2 Grandes empresas

CAE 289 (62 empresas):
  • 36 Micro empresas
  • 19 Pequenas empresas
  • 5 Médias empresas
  • 2 Grandes empresas

CAE 293 (25 empresas):
  • 6 Micro empresas
  • 6 Pequenas empresas
  • 8 Médias empresas
  • 5 Grandes empresas

Evolução do Número de Empresas

Fig. 3 – Evolução do Número Total de Empresas na Região Norte e do Entre Douro e Vouga (2010-2020).

O EDV assistiu a um crescimento do número de empresas (11.5% no período 2010-2020), mantendo a forte representatividade na região Norte.

Fig. 4 – Evolução do Número de Empresas ativas, por CAE (2010-2020).

O aumento no número de empresas da região do EDV foi impulsionado pelos setores de Fabricação de Produtos Metálicos (CAE 259) e de Fabricação de Máquinas para a Indústria (CAE 289), enquanto o setor de Fabricação de Equipamentos e Acessórios para a Indústria Automóvel (CAE 293) se manteve estável no período 2010-2020.

Evolução do Volume de Negócios

Fig. 5 –Evolução do Volume de Negócios na Região Norte e do Entre Douro e Vouga (2010-2020).

A evolução do Volume de Negócios no EDV foi positiva no período pré-pandémico (2010-2019), registando um aumento expressivo de 54%. A região EDV demonstrou ainda resiliência face às disrupções dos períodos pré e pós-pandémicos.

Evolução do Volume de Negócios e VAB por Setor

Fig. 6 – Evolução do Volume de Negócios e VAB – CAE 259.

O setor de Fabricação de Produtos Metálicos (CAE 259) teve um aumento significativo no Volume de Negócios até 2018 (22.4%), que foi acompanhado pelo Valor Acrescentado Bruto (aumento de 28.8% no mesmo período). Verificou-se uma estabilidade entre 2018 e 2019, seguida de um leve declínio no início do período pandémico (2019-2020) para ambos os indicadores.

Fig. 7 – Evolução do Volume de Negócios e VAB – CAE 289.

O setor de Fabricação de máquinas (CAE 289) teve um aumento do Volume de Negócios de 45.6% entre 2010 e 2019, enquanto o Valor Acrescentado Bruto cresceu 31%. Esta evolução com tamanha diferença entre os indicadores aponta para a possibilidade dos custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas terem sofrido alguma volatilidade durante o período, muito provavelmente com comportamento similar ao Volume de Negócios, de modo a negar ganhos ao Valor Acrescentado Bruto.

Fig. 8 – Evolução do Volume de Negócios e VAB – CAE 293.

O setor de Fabricação de equipamentos e acessórios para a indústria automóvel (CAE 293) assistiu a um crescimento exacerbado do Volume de Negócios até 2017 (64%), enquanto o Valor Acrescentado Bruto aumentou 106.6% no mesmo período. Entre 2017 e 2019, existiu um período de estagnação para ambos os indicadores, seguido de uma queda significativa ocasionada pelas medidas implementadas no período pandémico.

Evolução do Pessoal ao Serviço

Fig. 9 – Evolução do Número de Pessoal ao Serviço, por CAE (2010-2020).

Aumento de 23.9% no número de pessoal ao serviço na última década para os três setores em análise, com uma redução relativa do número de pessoal alocado ao I&D.

Fig. 10 – Evolução do Número de Pessoal ao Serviço afeto à I&D, por CAE (2010-2020).

No conjunto dos três setores, a percentagem de Pessoal ao Serviço dedicado a I&D é baixa, representando 2.8% do total de Pessoal ao Serviço em 2020. Recentemente, houve um esforço no sentido de aumentar a representatividade do pessoal ao serviço dedicado a I&D no EDV.

Avaliação da Maturidade Digital

De forma a avaliar a maturidade digital dos setores definidos, foi identificada uma amostra de empresas a visitar presencialmente, representativas os 3 setores de atividade em estudo e das diferentes dimensões e níveis de complexidade das operações.

Em paralelo, foi também realizado um questionário online e por telefone para um conjunto de empresas pertencentes à fileira dos Sistemas Avançados de Produção.

Modelo de Maturidade i4.0

O Modelo de Maturidade Digital i4.0 do INESC TEC foi concebido com foco na avaliação da maturidade global de empresas de produção e de serviços.

O modelo considera o contexto atual da empresa (cenário AS-IS), bem como determinados elementos de um cenário futuro (cenário TO BE).

O Modelo de Avaliação da Maturidade Digital i4.0 do INESC TEC está dividido em 6 níveis, dos quais os dois primeiros fazem referência a componentes da Indústria 3.0 e os quatro níveis seguintes integram a chamada Indústria 4.0.

Fig. 11 – Modelo de Avaliação da Maturidade Digital i4.0 do INESC TEC.

Níveis de Maturidade i4.0

Nível 1 – Digitização: Suporte por sistemas de processamento de dados. Os processos não estão definidos. A organização desconhece o âmbito e impacto da i4.0.

Nível 2 – Comunicação: Os sistemas estão estruturados e as tecnologias de informação estão conectadas, suportando os principais processos (que estão definidos). A organização conhece a iniciativa i4.0, mas não tem uma estratégia ou iniciativas definidas. 

Nível 3 – Visibilidade: Utilizam-se sistemas de apoio à decisão assentes na visibilidade sobre o negócio e em tempo-real. Mecanismos formais de gestão. Existem estratégias explícitas envolvendo os conceitos da i4.0.

Nível 4 – Transparência: A organização entende porque é que as coisas acontecem. O conhecimento é um resultado do reconhecimento. Estratégia e investimento na i4.0.

Nível 5 – Capacidade preditiva: A organização sabe o que vai acontecer. As decisões são baseadas em cenários futuros.

Nível 6 – Flexibilidade/Adaptabilidade: Autonomia e autoajustes. Estratégias i4.0 disseminadas por toda a organização.

Avaliação de Maturidade Digital – Global

Fig. 12 – Avaliação de Maturidade Digital no EDV por Dimensão.

Existe pouca integração entre sistemas de informação (que cobrem apenas alguns processos de negócio) e os equipamentos possuem reduzida capacidade de recolha/análise de dados produtivos. Para atingir a “visibilidade”, é necessário que as empresas definam um roadmap de iniciativas para a digitalização, desenvolvendo os sistemas de suporte à tomada de decisão e apostando em soluções que permitam a visibilidade da informação.

O investimento em Tecnologias e Sistemas de Informação é fundamental para atingir o nível 3 – “Visibilidade”.

Avaliação de Maturidade Digital – Por CAE

Fig. 13 – Avaliação de Maturidade Digital no EDV por CAE.

Verificou-se:

  • CAE 259 – A Fabricação de Produtos Metálicos possui estratégia de digitalização identificada de modo a suportar a transição digital do setor.
  • CAE 289 – A Fabricação de Máquinas para a Indústria desenvolve produtos e serviços com tecnologias digitais, o que se reflete no valor acrescentado dos produtos.
  • CAE 293 – A Fabricação de Equipamentos e Acessórios para a Indústria Automóvel possui processos de negócio e operações com capacidades comunicativas e preparados para a “Visibilidade”.

Por fim, observaram-se níveis de maturidade distintos com potencial de sinergias entre os setores em análise.

Conclusão

O Estudo desenvolvido demonstrou um nível de maturidade global dos setores da fileira dos Sistemas Avançados de Produção do EDV compreendido entre o Nível 1 (Digitização) e o Nível 2 (Comunicação). Verificou-se que parte significativa das empresas apresentam um conjunto de oportunidades semelhantes em termos de digitalização.


Consulte o estudo completo, realizado pela AECOA/AEF a 24/03/2022, clicando no ficheiro abaixo:

Quer ficar a par dos nossos eventos?
Subscreva a nossa newsletter